Começamos a treinar desde adolescente neste esporte e não paramos mais, foi amor a primeira vista, são poucos os casos de pessoas que começaram, não gostaram e migraram para outra modalidade. É incrível o efeito da amarelinha nas mãos, dos gols marcados, do gorro na cabeça, o coração bombeando sangue nas artérias, é pura adrenalina o coletivo. Hoje somos máster, nos orgulhamos disso, pois pouca coisa mudou, a amarelinha continua fazendo seu efeito nas mãos, o coração ainda bombeia muito sangue, e a adrenalina em cada coletivo é inefável, só não somos mais os mesmos no que diz respeito a individualidade, pois crescemos, estudamos, trabalhamos e constituímos família, hoje somos supostamente mais racionais, usamos melhor nossa inteligência, temos melhor visão do jogo, somos mais no sentido coletivo que individual, vemos e sentimos que a capacidade do time é a capacidade de todos estarem no mesmo sentido, na mesma pulsação, na mesma adrenalina.
A família agrega valores que são imprescindíveis, como a parceria homem-mulher, marido-esposa, dedicação-reconhecimento, apoio-superação e muita paciência com o outro. A família se completa com a chegada do(s) filho(s), aumenta ainda mais a parceira, o conjunto de adjetivos está cada vez mais aflorado, mais palpáveis e será o fiel da balança para a construção dela. O aquapolista realiza seus desejos nessas duas famílias, pois no esporte só não somos marido-mulher, mas temos que ter os mesmos adjetivos da base familiar. Uma pergunta que fica é que temos esses adjetivos por causa do esporte ou da família, somos mais pacientes e perseverantes por causa do esporte ou por causa dos nossos filhos? Quer dizer que sou impaciente com minha esposa e paciente com o goleiro do time? Permito minha esposa que fale dos meus defeitos e não permito que meus colegas de time façam isso? São contradições de família e esporte, hoje tenho algumas palavras e discussões sobre isso:
1º No esporte aprendemos o sentido coletivo, pois antes disso somos individualistas. No casamento somos o coletivo para depois conversarmos sobre nossas individualidades. É comum o efeito benéfico ou maléfico disso, pois pessoas extremamente individuais no esporte, casaram e aprenderam o coletivo com a família, assim como pessoas altamente coletivas, pacientes e perseverantes no esporte não conseguem ter o mesmo sucesso com a família.
2º No esporte aprendemos as regras do esporte e regras do treinamento. Fomos treinados para isso. E as regras de nosso casamento, dos nossos filhos e da nossa casa? Sou lícito no esporte e ilícito no casamento, ou vice versa, tenho habilidades e capacidades com o corpo no esporte e não consigo lavar um copo em casa? Sou rígido com as regras de comportamento dos meus filhos, porém sou leniente com meu comportamento ou do meu colega no esporte?
A verdade é que temos que ter sobriedade para tratar desses assuntos para que nos tornemos pessoas de bem e que respeitam tanto o coletivo como o individual, teremos que ser ao mesmo tempo razão e sensibilidade, buscar a felicidade amplamente e sermos vitoriosos no esporte e na família, eles se completam quando todos falam e entendem a mesma língua. Seja perseverante e persistente, mas saiba seus limites, seja duro nas regras e ilibado, mas seja coerente nas punições que vier a tomar, pense no companheirismo e na coletividade, mas nunca esqueça da sua individualidade.
Seja isso, da família e da família Pólo Aquático.
sábado, 10 de novembro de 2007
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